Post anterior comentei sobre minha rápida viagem à Goiânia no início do mês. Um dos acontecimentos foi a morte da minha avó...
Bom, este e creio que o próximo post irei falar sobre duas pessoas que já se foram...
Posso dizer que minha "vida cigana" começou com a cia da minha avó, Dona Maria, como por muitos era conhecida. Para os netos, só podiam chamá-la de mãezinha, com direito resposta se lhe chamasse de "vó". Para os filhos e filhas (12 no total), apenas mamãe.
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| Meu irmão, vô Mundico, Tia Vilma, Eu, e mãezinha (1994) |
Acho que minha primeira viagem longa foi para Goiás, pois tinha uma mancha e os médicos acreditavam que só tomando banho nas águas mornas da região de Caldas Novas eu melhoraria. Acho que deu resultado, pois não lembro dessa mancha. A única que tenho hoje, ganhei graças a uma aranha que dormiu comigo e fez um estrago no meu pescoço! Sou obrigado a escutar piadinhas de que não lavo o pescoço, nem preciso dizer que quem começou foi meu irmão.
Minha avó sempre me levava para suas viagem para Açailândia/MA, cidade próxima da que nasci e morei até meus 12 anos, Imperatriz. Inúmeras foram as vezes durante minha infância que ela me levava para lá. Algumas vezes íamos de ônibus, outras numa "carona" com o fornecedor de cigarros da mercearia que ela e meu avó tinham até uns anos atrás. Eu adorava!
Quando não era para a cidade, nosso rumo era para a "roça". Em uma caminhonete sumiamos mata adentro até a fazendo de um tio. Se não estou enganado, eram quase ou mais de 2 horas em cima daquele carro. Fazíamos isso pelo menos umas 4 vezes ao ano. Não lembro quando foi nossa última viagem juntos pra lá, mas creio que eu já tinha meus 10 para 11 anos. Foi quando eu matei uma cobra e posei para fotos com ela e tive um encontro nada interessante com um lobo-guará.
Tenho vagas lembranças de todos meus dias por lá... Lembro que eles contavam muitas histórias de onça, caça e eu sempre ficava receoso de no meio da noite, de surpresa algum bicho aparecesse. Bom, lá era da seguinte forma. Havia uma pequena casa com uns 3 cômodos. E na frente uma área grande coberta, que passado os anos aumentaram a casa pra frente (eu acho, nunca mais tinha voltado por lá mesmo). Dormíamos em redes. Ou seja, DanDan ficava lá fora dormindo com todos os outros, pois no quarto que havia dentro da casa, só dormia meu tio e sua esposa.
Em Imperatriz fui meio que criado pela minha avó. Sim, ela foi mais uma das minhas mães que tive. Meus dias eram dividos entre a escola, minha casa, a casa do Rocinha (próximo post) e a casa da minha avó. Quando meu avó se embrenhava mato a fora para caçar, eu sempre era o escolhido para dormir lá com ela. Já nem precisava de aviso. Vovô (Seu Mundico, até hoje não sei o porque desse apelido, o nome dele é Raimundo) ia caçar, Daniel já se organizava para passar as três próximas noites na casa dos avós. Nem em casa eu aparecia. Minha avó fazia questão que fosse eu, só eu! Não vou mentir que depois de uns anos, aquilo me deixava meio irritado e implorava para que fosse outra pessoa. Mas no final acabava indo. Mas vou contar o motivo de não querer ir. Minha avó dormia muito cedo e eu queria ficar mais tempo na rua...
Minha mãe sempre morou próximo da casa da minha avó. Então isso sempre facilitou que eu praticamente morasse lá com eles. Aliás, até meus 4 ou 5 anos, morávamos com eles. Família quase toda reunida. Casa grande, cabia todo mundo lá. Bons tempos... Lembrei agora de uma festa de bodas de ouro que fizeram para meus avós... Só lembro das fotos. Eu era muito pequeno.
Em 1997 fui morar em Uruaçu/GO, voltando para o Maranhão em 1998 e ficando por lá até julho de 2000. Nesse período não fiz mais nenhuma viagem com minha avó. Mas sempre fiquei na casa dela. Saia do colégio e seguia para a casa dela. Saia da igreja, e ficava por algumas horas lá com eles. Minha avó na cozinha ou cochilando. Meu avó na mercearia. Eu deitado no sofá zapiando na televisão. Por falar em cozinha. Antigamente minha avó fazia muita broa de nata. Eu amava aquelas broas. Juntavamos por semanas a nata do leite para numa tarde no decorrer da semana, juntar tudo e fazermos as broas que comia mais a massa do que arrumava elas para assar. Mãezinha sempre falava: "Dani, pára de comer, senão não vai sobrar nenhum!".
Em julho de 2000, voltei a morar em Uruaçu. Foi quando comecei a perder contato com meus avós. Em 2001 no colégio interno, sempre ligava (a cobrar) e ficava conversando um pouco com meus avós. Logo fui para Goiânia. Comecei a viajar e viajar. Fui perdendo de vez contato com eles, e outras pessoas que eu era próximo. Até então nunca mais voltei no Maranhão.
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| Vovô e Mãezinha |
No ano de 2007 e 2008, devido umas viagens longas que fiz para o Pará, consegui voltar por lá. Foi estranho. Antes de seguir para casa da minha tia, passei na casa dos meus avós. Passei uns 10 minutos parado do lado de fora conversando com meu avó que até então não lembrava quem eu era. Minha avó... em momento algum lembrou que eu era (...) me confundindo com outros netos e bisnetos.
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| Niver de 93 anos (17/12/10) |
Em 2007, cheguei a visitar outras vezes meus avós. Em 2008, fui meio que obrigado depois do meu avó reclamar, me chamando de neto desnaturado. Sei lá, era estranho pra mim estar na frente de uma pessoa que tanto fez parte da minha vida, e agora não lembrava de mim. Tentava buscar em suas memórias mais profundas alguma vaga lembrança nossa. Dava vontade de gritar.... Sou eu, o Daniel! Aquele que não lhe deixava, dormia com a senhora nas noites que vovô ia pra caça. Aquele que a senhora fazia questão de fazer broa. Aquele que ia em suas viagens pra roça. Que a senhora sempre dava conselhos. Ria. Chorava. Contava histórias. Brincava. Dava umas surras... rs Me sentava em seu colo e ficava me jogando pra cima, e eu caia na gargalhada. ( pausa... lágrimas caem... ). Acabei não aproveitando meus dias com minha avó. Não sabia (apesar de já esperar), que aqueles fossem nossos últimos dias. E mesmo não lembrando de mim, todos os abraços que recebi dela, foram como como os outros. Forte. Sincero. Cheios de ternura. Paz.
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| Tia Vilma, Mãezinha e minha Mãe! |
Minha avó morreu aos 93 anos. Casada por 71 anos. Criou 12 filhos. Só não vou falar quantos netos e bisnetos ela tem, porque nossa árvore genealogica é bem grandinha. Mas tenho certeza de que ela descança em paz. Durante todos esses meus 26 anos, ela recebeu muito amor de cada um de nós, estando perto, longe. Tendo muito contato ou sem nenhum por anos.
Mãezinha, onde quer que esteja, cuide de nós. Que sua paz transbore para todos nós seus filhos, netos, bisnetos e aos que ainda estão por vir, que não terão a oportunidade de ter conhecido, vivido com a senhora. Terei sempre minhas boas lembranças de tudo que vivemos. Estará presente dentro de nossos corações.
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| 2007 |






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